Preciso fazer algumas observações aqui - até por uma questão de justiça.
Pois bem, então:
as atendentes retornam, sim, os contatos telefônicos;
estão aí Gorete e Giovana que não me deixam mentir;
essas não são nem faladeiras;
graças à dedicação delas vou ter como fazer os cursos que eu queria no Liceu e no POP;
as escadas continuam lá, mas vai dar para ser;
continuo na batalha é com a Moviola e a Estação;
talvez desista da primeira, mas na outra ainda vou tentar um pouco mais;
pintou até outro lance agora, um clube de leitura;
ainda não responderam meu email;
também sem novidades das academias.
Ok, era isso. Só atualizando.
"Aqui vamos contar as histórias que forem acontecendo (algumas são inacreditáveis), vamos dar dicas de locais com relação a acessibilidade, vamos elogiar e criticar, além de divulgar o que estiver acontecendo por aí. Então é isso: Acessível é diário, utilidade pública e entretenimento."
quinta-feira, 31 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
Cê deixa o telefone que a gente te retorna, tá?
O primeiro contato, normalmente, é por telefone. A atendente, normalmente, fala pelos cotovelos. Ela te dá o preço do curso, sai dizendo os horários ("o professor é ótimo"), quando a turma começa ("na verdade já começou, mas claro que ainda dá para entrar"). Consigo uma brecha e pergunto:
_ Então, Jéssica, é que eu sou cadeirante e queria saber como é o espaço aí com relação a acessibilidade e tal.
_ ...
_ Jéssica?
_ Só um instantinho que eu vou chamar o Fabiano pra falar com você, tá?
Tem um curso sobre Machado de Assis no Liceu Literário Português de Laranjeiras; um outro sobre cinema e arte no Polo de Pensamento Contemporâneo (POP); oficina de conto na Estação das Letras; de criação literária e História na Moviola. Todos eu estou a fim de fazer. Não deve rolar nenhum. E sabe o motivo? Falta de acesso. Uma escada ou uma porta estreita são suficientes para embarreirar geral. Ainda têm as academias, no caso Upper e Max Forma, onde o problema nem é circular pelo salão. Acontece que nunca ninguém tentou malhar nesses lugares em cima de uma cadeira de rodas - adianto que não tem muita diferença entre quem está de pé e quem está sentado.
Acho que estou chegando a uma nova fase nessa tentativa de reintegração ao mundo. Se a ideia é ir a um restaurante, tem o acessível e o não-acessível. Escolhe o primeiro e bom apetite. Evento com rampa ou evento sem rampa? Evento com rampa. Beleza, mas e quando o negócio é mais específico? O curso que eu quero fazer é aquele. Naquele lugar. O show é daquela banda e não da outra. O seu tio mora naquele prédio, aonde você não consegue entrar sozinho. Visita o cara como? Todas são instituições privadas, não têm obrigação de me receber. Só esperava que tivessem uma postura mais inclusiva. Até porque estamos falando de ambientes onde se discute a sociedade em que vivemos. Estamos falando de professores. De Educação.
A maioria das adaptações necessárias são bem simples, coisa boba. É uma porta que abra para fora, uma rampinha (móvel que seja), um batente mais largo. Pequenas mudanças que fazem toda a diferença. Falta informação. A gente está só começando a pensar uma cidade mais acolhedora. Pedi um laudo lá no SARAH e estou levando para os caras da malhação. De vez em quando mando um email para os coordenadores dos cursos (que ficaram de adequar os respectivos espaços). A tática é insistir, com jeito e educação, mas insistir. Sei que corro o sério risco de parecer chato, mas não vou desistir não. Acho até que amanhã vou tomar um café com a minha amiga Jéssica...
_ Então, Jéssica, é que eu sou cadeirante e queria saber como é o espaço aí com relação a acessibilidade e tal.
_ ...
_ Jéssica?
_ Só um instantinho que eu vou chamar o Fabiano pra falar com você, tá?
Tem um curso sobre Machado de Assis no Liceu Literário Português de Laranjeiras; um outro sobre cinema e arte no Polo de Pensamento Contemporâneo (POP); oficina de conto na Estação das Letras; de criação literária e História na Moviola. Todos eu estou a fim de fazer. Não deve rolar nenhum. E sabe o motivo? Falta de acesso. Uma escada ou uma porta estreita são suficientes para embarreirar geral. Ainda têm as academias, no caso Upper e Max Forma, onde o problema nem é circular pelo salão. Acontece que nunca ninguém tentou malhar nesses lugares em cima de uma cadeira de rodas - adianto que não tem muita diferença entre quem está de pé e quem está sentado.
Acho que estou chegando a uma nova fase nessa tentativa de reintegração ao mundo. Se a ideia é ir a um restaurante, tem o acessível e o não-acessível. Escolhe o primeiro e bom apetite. Evento com rampa ou evento sem rampa? Evento com rampa. Beleza, mas e quando o negócio é mais específico? O curso que eu quero fazer é aquele. Naquele lugar. O show é daquela banda e não da outra. O seu tio mora naquele prédio, aonde você não consegue entrar sozinho. Visita o cara como? Todas são instituições privadas, não têm obrigação de me receber. Só esperava que tivessem uma postura mais inclusiva. Até porque estamos falando de ambientes onde se discute a sociedade em que vivemos. Estamos falando de professores. De Educação.
A maioria das adaptações necessárias são bem simples, coisa boba. É uma porta que abra para fora, uma rampinha (móvel que seja), um batente mais largo. Pequenas mudanças que fazem toda a diferença. Falta informação. A gente está só começando a pensar uma cidade mais acolhedora. Pedi um laudo lá no SARAH e estou levando para os caras da malhação. De vez em quando mando um email para os coordenadores dos cursos (que ficaram de adequar os respectivos espaços). A tática é insistir, com jeito e educação, mas insistir. Sei que corro o sério risco de parecer chato, mas não vou desistir não. Acho até que amanhã vou tomar um café com a minha amiga Jéssica...
terça-feira, 22 de março de 2011
Falta do que fazer dá nisso
O tempo está meio chuvoso desde o carnaval, não é? Assim, eu acabo ficando mais em casa que de costume. Mais casa, mais internet. Mais internet, mais ideia errada. Estava vendo uns vídeos demonstrando passagem para carro e tal. Os caras transferem na maior facilidade. Aquilo já foi me invocando. Tinha um maluco descendo escada. Outro subindo. Escada rolante, escada parada. Descendo empinando. Enfim, vagabundo faz o diabo em cima de uma cadeira de rodas. Me empolguei e fui para a garagem treinar. Não tinha como dar certo, tinha? Resultado: perna enfaixada e compressa de gelo. Vou botar a leitura em dia e ficar longe do You Tube que é o melhor que eu faço.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Porra, bicho, que merda, hein?
Reunião dos amigos das antigas. No começo fica todo mundo ao seu redor querendo falar ao mesmo tempo. Aos poucos o pessoal vai dispersando. Tem aquele que cola do teu lado e não sai nem por decreto. Tem também quem fique de longe. Lá vem o cara te tratando cheio de dedo. Fala baixinho, como se fosse segredo. Há os que ficam perguntando pela lesão e os que fingem que nada aconteceu. O tempo vai passando e a rapaziada começa a se soltar. E o que fica falando, falando, que nem uma metralhadora? Alguns adotam um tom grave para conversar contigo, entende? Parece que estão apresentando o Jornal Nacional. Até que vem um, senta do teu lado, dá um gole na cerveja e manda:
_ Porra, bicho, que merda, hein?
_ É. Que merda...
Vai embora e chega o outro:
_ Que merda, hein?
_ Ô...
Um terceiro aparece, senta e fica mudo. Aí, sou eu que digo:
_ Que merda, hein?
_ Pode crer... Que merda!
Cada um é de um jeito. Cada um reage de um jeito. Os contadores de causos ficam lembrando histórias do passado. Com detalhes que nunca existiram. A cada encontro elas ficam melhores.
_ Mermão, tava sem coragem de te ver...
_ Porra, mas por que que foi acontecer isso logo contigo? Tanto muquirana por aí...
Queria que eles soubessem que eu estou bem. Bem de verdade. Acho que no início é assim mesmo, com o tempo acostuma. Com o tempo tudo se ajeita.
_ Porra, bicho, que merda, hein?
_ É. Que merda...
Vai embora e chega o outro:
_ Que merda, hein?
_ Ô...
Um terceiro aparece, senta e fica mudo. Aí, sou eu que digo:
_ Que merda, hein?
_ Pode crer... Que merda!
Cada um é de um jeito. Cada um reage de um jeito. Os contadores de causos ficam lembrando histórias do passado. Com detalhes que nunca existiram. A cada encontro elas ficam melhores.
_ Mermão, tava sem coragem de te ver...
_ Porra, mas por que que foi acontecer isso logo contigo? Tanto muquirana por aí...
Queria que eles soubessem que eu estou bem. Bem de verdade. Acho que no início é assim mesmo, com o tempo acostuma. Com o tempo tudo se ajeita.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Papo de botequim
Estava no boteco aqui do lado de casa e eis que ele me abordou. Esticou a mão para cumprimentar e perguntou se eu estava bem. Respondi que sim e devolvi a pergunta:
_ E contigo, tudo certo?
_ Mais ou menos, né... Acabei de enterrar meu pai. Ele tava no ônibus e infartou...
_ Bicho, não sei nem o que te dizer... Meus sentimentos...
Nunca tinha falado com ele. Sei que mora no meu prédio, mas nunca tinha falado com ele. Até imagino como estava se sentindo. Perdi meu pai quando tinha mais ou menos sua idade. O cara estava sozinho. Parece que a mãe já estava descendo. Devia estar querendo conversar... Não sei que link ele fez para me escolher em meio a tanta gente. Acho que rola uma afinidade entre quem passa por dificuldades. A gente se torna meio cúmplice na hora do aperto. É como se me dissesse: "Eu tô te vendo aí nessa cadeira. Sei que tá sendo difícil. Mas olha, eu tô sofrendo também". Pensava nisso enquanto ele falava. Não disse seu nome, nem perguntou o meu. Foi ideia do pai que chegasse do enterro e parasse num bar para tomar uma cerveja com os amigos. Parece que virou meu amigo agora. O chope de hoje foi um pouco em homenagem ao pai do garoto. Portanto, um brinde a eles!
_ E contigo, tudo certo?
_ Mais ou menos, né... Acabei de enterrar meu pai. Ele tava no ônibus e infartou...
_ Bicho, não sei nem o que te dizer... Meus sentimentos...
Nunca tinha falado com ele. Sei que mora no meu prédio, mas nunca tinha falado com ele. Até imagino como estava se sentindo. Perdi meu pai quando tinha mais ou menos sua idade. O cara estava sozinho. Parece que a mãe já estava descendo. Devia estar querendo conversar... Não sei que link ele fez para me escolher em meio a tanta gente. Acho que rola uma afinidade entre quem passa por dificuldades. A gente se torna meio cúmplice na hora do aperto. É como se me dissesse: "Eu tô te vendo aí nessa cadeira. Sei que tá sendo difícil. Mas olha, eu tô sofrendo também". Pensava nisso enquanto ele falava. Não disse seu nome, nem perguntou o meu. Foi ideia do pai que chegasse do enterro e parasse num bar para tomar uma cerveja com os amigos. Parece que virou meu amigo agora. O chope de hoje foi um pouco em homenagem ao pai do garoto. Portanto, um brinde a eles!
quinta-feira, 17 de março de 2011
Parceiros de caminhada
O lugar é bonito, design arrojado. Estrutura nota dez. Muito limpo também. Acessível em cada detalhe. Os funcionários são educados a começar pelo(a) telefonista que te liga para marcar o atendimento - sim, são eles que te ligam. Lá o horário é cumprido (se a consulta está marcada para as dez, ela começa às dez). Equipamentos de ponta estão à disposição. Os profissionais são bem formados e informados. Acredita que eles estão abertos ao diálogo? O programa que eles desenvolveram me parece bastante adequado, para mim faz todo sentido. Eles fazem intercâmbio com colegas de outras unidades, em outras cidades, outros países. O ambiente acolhedor propicia interação entre os pacientes. Além de ser tudo absolutamente gratuito, eles ainda doam equipamento. Não. Esse lugar não fica na Suíça. Estou falando da Rede SARAH de Hospitais de Reabilitação.
quarta-feira, 16 de março de 2011
O negócio é levar vantagem em tudo, certo?
O bom blog Ser Lesado (serlesado.com.br), do Leandro Portella, postou hoje a seguinte matéria: "Motoristas estacionam carros em vagas de deficientes sem medo de serem multados". Me recusava a acreditar que acontecesse esse tipo de coisa, mas, infelizmente, ocorre sim. Já presenciei algumas vezes. A pior delas foi no estacionamento do Fashion Mall. Imagina o shopping lotado. A gente rodava, rodava e não achava nem uma vaguinha. Já estávamos pensando em largar o carro na rua mesmo quando vi o malandro embicando na vaga para cadeirantes. Pedi para Glorinha dar uma parada e fiquei só olhando. Me sai do carro um camarada, esposa e uma menina de uns dez anos. Abordei o cara e ele disse que também era deficiente e tal. Foi embora e só aí se lembrou de começar a mancar, é mole? Caso típico da Lei de Gérson. Tudo bem, se é esse o exemplo que o cretino quer dar para a filha... Guanabara, Etna, Extra, Feira de São Cristóvão. Presenciamos exemplos de desrespeito à lei mesmo quando há vagas de sobra. O fato se dá simplesmente para ficar mais próximo da entrada. A cartilha do IBDD orienta que chamemos, nesses casos, a polícia ou a guarda municipal. Afinal, tem doido por aí que ainda agride deficiente que reclama seus direitos.
Em tempo: "de acordo com o artigo 181 do Código de Trânsito (CTB), estacionar um veículo em desacordo com a sinalização, como placas de estacionamento, é infração leve, sujeita à perda de três pontos na carteira, aplicação de multa e remoção do veículo".
Em tempo: "de acordo com o artigo 181 do Código de Trânsito (CTB), estacionar um veículo em desacordo com a sinalização, como placas de estacionamento, é infração leve, sujeita à perda de três pontos na carteira, aplicação de multa e remoção do veículo".
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